O Cinza e o Branco eram verdadeiros inseparáveis. Um passo para o lado, e logo estavam juntos, ou melhor, pata a pata. No entanto, vale a pena se apresentar corretamente.
O Cinza era um cachorro comum de rua, sem raça nem linhagem, enquanto o Branco era um gato igualmente sem grande origem. Viviam com tio Vasya, um aposentado do campo e jardineiro dedicado. Pelo nome simples, o dono não parecia se preocupar muito com criatividade, mas os moradores da vila, observadores, apelidaram essa dupla de maneira mais expressiva — “dois gansos alegres”.
A amizade entre o gato e o cachorro é algo aparentemente comum, mas o Cinza e o Branco se destacavam até nesse contexto. Eles não apenas se davam bem, estavam literalmente fundidos como um só. Ver um sem o outro era uma rara sorte. Até nas tigelas de comida eles chegavam juntos, esperando pacientemente até que tio Vasya colocasse o simples ração e, por hábito, resmungasse, deixando escapar algo de seu passado soviético:
— Aqui está, camaradas, comam!
Cada um tinha suas responsabilidades: o Branco caçava ratos com precisão, e o Cinza vigiava a casa. Mas até nisso, os amigos conseguiam agir em conjunto. O gato se empoleirava na cerca e vigiava os forasteiros, enquanto o cachorro corria pelo pátio, capturando camundongos que tentavam invadir o sótão ou o celeiro.
Foi assim também naquele dia, quando os amigos se dirigiram ao rio. O primeiro gelo já havia formado, e sobre a superfície lisa era possível correr, deslizar, acelerar e apenas se divertir. A neve voava debaixo de quatro patas, e de longe parecia que o Cinza e o Branco estavam tranquilamente conversando sobre algo deles, só compreensível entre os dois.
Mas mal chegaram à beira do rio, um menino correu em direção ao gelo fino. Ao ganhar velocidade, escorregou e caiu na camada congelada, que imediatamente se rachou. O garoto foi parar na água, se agarrando desesperadamente às bordas quebradas. Suas roupas molhadas o puxavam para baixo, e ele começou a afundar sob o gelo.
O Cinza reagiu na hora: saltou, mordeu o colarinho do casaco e com todas as suas forças manteve o menino na superfície. O Branco, por sua vez, avaliou a situação com calma e correu de volta para casa — em busca de ajuda.
O cachorro sabia que não conseguiria sustentar por muito tempo, mas logo os gritos começaram a ser ouvidos. Uma escada de madeira comum foi trazida até o buraco no gelo, e um homem barbudo cuidadosamente subiu por ela. Ele agarrou o menino e o puxou para fora da água gelada.
O Cinza relaxou suas mandíbulas entorpecidas, afastou-se, levantou-se e olhou para trás. O Branco estava ao lado dele, com ares de vencedor. Só ele sabia quais truques felinos usou para explicar às pessoas que algo havia acontecido no rio e que era urgente a ajuda.
