— Camarada bombeiro! Fiquei com um gato e seus filhotes lá, no apartamento 45. Pegue as chaves e tire-os de lá, peço a Deus!
Categories Style Secrets

— Camarada bombeiro! Fiquei com um gato e seus filhotes lá, no apartamento 45. Pegue as chaves e tire-os de lá, peço a Deus!

Fiódor voltava para casa depois de seu turno. Os limpadores de para-brisa deslizavam suavemente pelo vidro, apagando as poucas gotas de chuva.

— Bem, paraquedista, dormiu? — sorriu, olhando para o banco do passageiro onde um filhote de gato laranja estava enrolado, dormindo tranquilamente.

Esse pequeno aventureiro caiu sobre ele do terceiro andar — silenciosamente, inesperadamente, agarrando-se com suas garras afiadas na jaqueta. Mas o tecido escorregou e o gatinho caiu diretamente aos seus pés.

Naquele momento, o trabalho estava tenso: a equipe estava lutando contra as chamas, o fogo saía das janelas do quarto andar, Fiódor já estava indo para o prédio quando…

Ele pegou o gatinho laranja com um movimento brusco, virou-se e o entregou ao comandante, de quem acabara de se afastar. San Sanych olhou para ele com raiva, cuspindo de frustração, mas pegou o gato. E então, alguém dos moradores gritou:

— Tan, são os filhotes de sua gata, está vendo isso?

— Oh, tem a Mílka lá, ai… — exclamou uma senhora idosa.

Ela correu atrás de Fiódor, foi impedida, mas conseguiu gritar:

— Camarada bombeiro! Fiquei com uma gata e seus filhotes, no apartamento 45. Pegue as chaves e tire-os de lá, peço a Deus! — soluçava ela.

Quando tudo acabou, Fiódor se aproximou do comandante e perguntou sobre o gatinho.

— Você está quebrando regras? O que, você está com sorte, Fiódor? — resmungou San Sanych.

— Mais leite, pelo jeito, já que todo mundo quer pegar nele — comentou Mítia, o palhaço da equipe.

— Tá, não esquenta. Está com o Slava — o comandante interrompeu Fiódor. — A dona disse que, para agradecer pela salvação da família felina, ele te deu um presente de boa sorte.

Lembrando os eventos do dia, Fiódor sorriu e olhou de novo para o filhote laranja.

— A Masha não vai se entediar, isso é certo. Só que, será que ela vai te aceitar…

Quando chegou em casa, Fiódor escondeu o gatinho sob a jaqueta e subiu para o andar. Abriu a porta e, imediatamente, a gata cinza saltou para a entrada, ronronando, girando ao redor de seus pés.

— Masha, aceite este presente de boa sorte.

A gata olhou fixamente para o pequeno e bagunçado filhote laranja nas mãos de Fiódor. Ele o colocou no chão e começou a tirar sua jaqueta.

— Tudo bem, se entendam aqui, enquanto eu faço o chá.

À noite, a família inteira estava no sofá. Fiódor assistia a um programa de variedades, Masha deitada ao seu lado, ouvindo atentamente.

O gatinho laranja corria pelo sofá, atacando tanto a gata quanto as mãos do dono. Masha não ficava para trás e sempre dava um tapa firme no travesso. Fiódor ria.

De manhã, a mãe ligou, lembrando que eles iam ao mercado. Sexta-feira, dia de compras para a semana.

Quando entraram no carro, a mãe suspirou profundamente:

— Fédia, ontem assisti às notícias na TV. O seu bairro…

— Tá tudo bem, mãe. Vê que estou vivo e bem.

Fiódor já tinha proibido sua mãe de ligar todo dia perguntando se ele estava vivo.

— Se algo acontecer, eles te avisam — ele sempre dizia.

Era duro, mas se não fosse assim, o telefone não pararia de tocar.

— Fédya, — começou sua mãe, com o assunto de sempre, — você vai fazer trinta anos logo. Quero netos. E você continua com os incêndios. E ainda por cima, arrumou uma gata no lugar de uma mulher…

— Mãe, — Fiódor a interrompeu suavemente, mas com reprovação.

Ela fechou os lábios, virou-se para a janela e ficou em silêncio.

Com Masha, Fiódor teve um relacionamento mais caloroso do que com o Vaska. Aliás, o pequeno aventureiro laranja foi chamado de Vaska.

Naquele dia, veio um chamado do setor privado. Chegaram rápido, apagaram o incêndio, mas não conseguiram salvar a dona da casa. Os vizinhos disseram que ela tinha uma filha, mas não a encontraram na casa.

Passando perto de um galpão torto, que milagrosamente não pegou fogo, Fiódor ouviu um choro baixo. Ele olhou dentro.

Uma menina de cerca de seis anos estava agachada atrás de caixas de tralha, abraçando uma gata cinza. Vestido sujo, rosto empoeirado, olhos cinza intensos.

— Oi. Quem é você? Como você se chama? Eu sou bombeiro, — Fiódor se sentou ao lado dela.

— Liza, — ela respondeu com uma vozinha. — E esta é a Masha.

Ele pegou sua mão, ajudou a menina a levantar e a levou para fora. Perguntou aos vizinhos se havia algum parente de Liza. Disseram que não, mas uma mulher concordou em acolher a menina por um tempo.

Mais tarde, Fiódor soube que a mãe de Liza bebia, que os vizinhos alimentavam a menina e que a gata era sua única amiga. Depois veio o orfanato e o pedido de Liza — levar Masha com ela.

E agora, já fazia um ano que Fiódor colocava Masha na caixa de transporte e ia até Liza com presentes. As visitas eram raras, mas quentes — importantes para ambos.

Depois das compras, a mãe decidiu passar na casa de Fiódor. Ele não se opôs — essas visitas a acalmavam. Ela inspecionava o apartamento, garantindo que o filho estivesse em ordem, e sempre balançava a cabeça desapontada, não encontrando sinais de uma mulher.

Agora, ela entrou rapidamente na entrada. E foi quando Vaska pulou da prateleira dos sapatos. Ela estremeceu e parou.

— O que é isso? — perguntou ela.

— Queria netos? Aqui está o Vaska, — Fiódor riu.

— Fiódor!

— Tá, tá. Ele é um sobrevivente de incêndio. Me deram ele como amuleto de boa sorte, — explicou ele.

Depois, estavam desembrulhando os produtos, a mãe dava suas broncas, tomavam chá. Fiódor foi se vestir para levar a mãe de volta, enquanto ela ficou na cozinha.

O filhote laranja pulou para os joelhos dela. Ela olhou para ele, acariciou-o e disse baixinho:

— Então é assim. Já que você é um amuleto de boa sorte, seja bom e traga isso. Eu quero netos e ele precisa de uma mulher confiável. Estou contando com você…

Ela sorriu, como se tivesse cumprido uma missão importante, e foi até o filho que a chamava.

Comments

comments

Prev Um enorme cão preto se aproximou da minha casa. Ele não comeu nem bebeu por 5 dias, apenas olhava para a floresta. Então percebi O QUE ele estava me protegendo.
Next O cachorro reagiu instantaneamente: saltou até o menino e, com uma pegada mortal, agarrou o colarinho do casaco, impedindo-o de afundar. O Branco, por sua vez, avaliou suas forças corretamente e correu até a casa para pedir ajuda…

Leave a Reply